Mixagem (conceitos)

In blog by zasnicoff

Mixar é uma arte por si só. É uma pena que muitos engenheiros de som permaneçam no anonimato enquanto muitos dos créditos de um CD são devidos a eles.

A mixagem tem a função de “misturar” elementos, juntar as trilhas para que a música tome forma, encaixe harmonias e melodias. Muitas vezes, a fase de Mixagem é confudida com a Pré-Produção. Decisões de arranjo e instrumentação, por exemplo, deveriam ser feitas antes das gravações e portanto antes da mixagem.

Quanto à mistura de elementos, não podemos nos esquecer de alguns fatores limitantes:

Dennis Zasnicoff - Produtor Musical - Mixagem– Nossos ouvidos não conseguem decodificar muitas informações. Quem consegue ler um livro, escutando música, enquanto a esposa conversa pelo telefone ao lado?
– Para não sobrecarregar o ouvinte e permitir que ele identifique cada elemento do mix, é fundamental existir uma separação “física” entre as trilhas.
– Esta separação pode ser conseguida em 4 domínios diferentes: PANORAMA, VOLUME, ESPECTRO e PROFUNDIDADE. Desde um simples controle de esquerda-direita até o efeito mais impactante, o áudio estará sendo modificado em um ou mais destes domínios, para se criar contrastes.
– Existe um espaço limitado no palco sonoro para se colocar instrumentos (e vozes). É aí que o controle de panorama (PAN) de cada faixa é fundamental. Normalmente começo a mixar pelo PAN e depois ajusto os volumes. Truques como delays rápidos (Efeito Haas) também ajudam na distribuição horizontal.
– REVERBS são os principais determinantes de PROFUNDIDADE. A porcentagem de reverberação, seu conteúdo (reflexões primárias, tempo de reverberação etc.) e timbre correspondem diretamente à nossa percepção de distância. Foi assim que nosso cérebro aprendeu durante anos e anos. Reverbs variados em trilhas diferentes e plugins de baixa qualidade não enganam nosso cérebro !
– Tal como uma fotografia, onde existem diferentes cores (ou tons de cinza) que desenham uma imagem, precisamos de variedade e cuidado com as sobreposições no ESPECTRO sonoro. Fica difícil enxergar um gafanhoto num campo de futebol, mas ele se torna bem nítido sobre uma folha de papel. Quntas vezes você presenciou uma banda onde TTTTT (todos tocam tudo tempo todo) e não conseguiu ouvir o baixo, a voz, a percussão. Os músicos não se entendem, não há contraste nem destaque. Nas mixagens, cada elemento deve ser filtrado de acordo com o estilo musical para não intereferir nos outros. A idéia é que todos apareçam com clareza – e na hora certa.
– Experimente usar o MUTE nas suas mixagens. Muitas vezes, ele é a melhor ferramenta. Tendemos a colocar muita informação ao mesmo tempo.

Os ouvintes querem clareza, perceber detalhes, variações, dinâmica e contrastes.

Para entender melhor a função da mixagem e como ela se relaciona com outras fases da Produção Musical, veja o artigo sobre a Escala Musipontos.