E na Mesa…. o Técnico de Som!

In blog by zasnicoff

Dennis Zasnicoff - Produtor Musical - Técnico de SomEsses dias fui assistir à apresentação de um amigo, um show de aproximadamente 20 músicas para um público seleto. A banda é excelente – instrumentistas, arranjo, presença de palco, repertório. Ainda assim, a performance foi seriamente comprometida pela qualidade de áudio da casa.

Encontrar uma sala com bom som não é fácil. É incrível como a acústica é deixada para segundo plano. Gastam milhares em decoração, equipamentos, reformas – e se esquecem que a acústica estará intimamente ligada ao conforto do público, performance da banda, desejo do cliente de voltar e indicar o local… Boa parte dos problemas poderia ser resolvida com alguns cuidados e pouco investimento. Não digo que é simples, mas vale consultar um profissional.

Não bastasse isso, não é raro encontrar técnicos despreparados. É claro, o ideal seria que o técnico já conhecesse a banda, tivesse feito uma passagem de som, estivesse familiar com o arranjo. Concordo que é pedir demais. Mas um bom técnico não levará mais do que 3 ou 4 músicas para entender a dinâmica da performance, corrigir os problemas e “casar” o áudio com o som da sala. 

Lembro quando fui ver George Benson há alguns anos, as primeiras músicas soavam horríveis. Você repara que o cantor está desafinando, que os músicos não estão se entendendo, não se escuta as nuances dos instrumentos. Alguns minutos passam e tudo está redondo, esse é o papel do técnico – deixar músicos e platéia confortáveis. Uma atividade que exige concentração, ouvidos treinados e domínio dos equipamentos.

Em outras palavras – muito estudo, muita prática. As casas querem pagar merreca para o operador de áudio. Como esperar que ele invista em conhecimento? Do outro lado, alguns técnicos julgam estar aptos para o trabalho, enquanto ainda não dominam áudio e acústica. Outros muito capazes, aceitam cobrar pouco e não estão muito preocupados em ensinar os demais… todos ganham quando o nível de mercado aumenta. Um problema complexo, não saberia dizer qual a melhor solução.

Mas há algo que os músicos poderiam e deveriam fazer – reclamar, sinalizar, exigir. Se já está na quinta música e não há sinais de que as coisas estão melhorando, pare. Sem medo. Peça licença para o público, coloque um playback e fale com o técnico. Melhor ainda se conversar com ele antes, desenhar mapas de mixagem, pontos críticos do arranjo. Existindo a oportunidade, caminhe pela sala para escutar o som enquanto a banda faz a passagem. Anote os problemas e peça que ele corrija. Se tiver a possibilidade de contratar um técnico fixo, melhor ainda! Ele será, na verdade, mas um membro da banda, tão essencial quanto os outros. O técnico também deveria se impor e auxiliar a banda a corrigir suas deficiências – distância e manejo dos microfones, trânsito, posicionamento. Combine sinais visuais.

Um dos problemas mais comuns que encontro é o excesso de volume (atenção colegas DJs que adoram estourar as caixas). Quando se cruza um determinado limiar, as dificuldades se multiplicam rapidamente – microfonia, graves ressonantes, congestionamento, inteligibilidade, distorções. Comece com um volume baixo, ajuste o som, vá aumentando aos poucos. Nossa sensação de volume é relativa. Se começou baixo e aumentou, acharemos que está ótimo. Se começou muito alto e diminuiu apenas um pouco, vamos reclamar.

Meu amigo ficou chateado porque sabia que tinha muito mais para mostrar do que conseguiu. Infelizmente acontece com frequência.