Dennis Zasnicoff - Produtor Musical - Pirataria

Pirataria – 7 Razões para Refletir

In blog by zasnicoff

Dennis Zasnicoff - Produtor Musical - PiratariaExistem literalmente milhares de posts e discussões sobre o assunto. Tons cizentos de opiniões.
Quem não se interessa por opinar e tentar causar mudanças, aceita o preto no branco – as Leis. Gostando ou não, desrespeitá-las é crime – e tenho certeza que a maioria não deseja ser um criminoso.

Então que tal mudar as Leis? Opinar e discutir sempre foi o melhor caminho para se mudar as leis – atualizá-las ou caducá-las. Ainda que não seja através de um abaixo-assinado para o Congresso, grandes impactos – como alterar remunerações, mercados, consumo, macro-economia, crescimento, desenvolvimento e competitividade – sempre chamaram a atenção dos governos.

Mas será que as Leis modificam nossa postura? Sem dúvida. O exemplo mais atual é a Lei Seca que diretamente alterou os nossos padrões de consumo de álcool, direção perigosa e estatísticas nos pronto-socorros. Mas como todos nós já cruzamos um sinal vermelho algum dia, quero lançar reflexões para que cada um ESCOLHA sua posição. Mais poderoso e benéfico para uma sociedade é como nos portamos, nossos valores e exemplos – assim podemos influenciar a legislação e nos sentirmos motivados a acatar as decisões impostas por grupos de interesse (leia-se Artistas, Gravadoras).

  1. Cada cópia pirateada significa uma venda perdida para o autor, produtor musical e cadeia de distribuição > Nem sempre. É verdade quando o consumidor que adquiriu o produto pirata ESTAVA DISPOSTO a comprar o original e encontrou um pirata com melhor custo-benefício.
  2. Baixar uma música ilegalmente não é pirataria, não fui eu que compartilhei > É claro que é ilegal. Ainda não estamos discutindo e validade da Lei, mas ela existe. Compartilhar SOB CONTROLE é outro assunto. As bibliotecas nunca foram muito questionadas pelos autores de livros, a maioria aceita e incentiva.
  3. Artistas precisam encontrar outra maneira de remuneração, é impossível controlar a Internet > Sim, depois de muitos anos dando murro em ponta de faca, Artistas e Gravadoras estão encontrando outros modelos de negócios. É impossível impedir crimes online mas NÃO É impossível desencorajá-los.
  4. Enquanto os produtos piratas tiverem melhor custo-benefício, não tenho motivos para comprar o original > Mentira, não vamos nos enganar. Se queremos um motivo, que tal respeitar o Autor? Pagar o que ele merece. O “quanto” ele merece é totalmente dinâmico e função do mercado, mas ele tem o direito de receber. E principalmente, será que o custo-benefício dos piratas é melhor mesmo? As músicas muitas vezes têm baixa qualidade, tags estranhos, nomes soletrados incorretamente, faltando um pedaço de áudio, versão errada, difícil de organizar e acessar – e isso tudo CONSOME nosso tempo. Os DVDs piratas que tentei assistir não duraram cinco minutos. Impossível se concentrar na arte com aquela qualidade de imagem.
  5. Com o avanço tecnológico, os produtos piratas serão de excelente qualidade > Excelente significa algo muito melhor do que a média. A tecnologia TAMBÉM vai aumentar a média de qualidade dos originais. Cabe a nós ensinarmos a amigos e parentes as diferenças entre a obra original e a pirateada. Conheço adolescentes que dão risada quando falo em comprar um CD. Eles nunca manusearam, colecionaram ou escutaram um CD legítimo, não possuem ídolos duradouros. Tudo isso desvaloriza o original, não só o “aúdio” do CD. Mas a grande vantagem do original continuará sendo a facilidade de acesso, a certeza de não se perder tempo, de receber qualidade. Tente procurar por um livro pirata na Internet – você encontrará dezenas de sites com o livro original e talvez 1 ou 2 com uma cópia pirata. Estes 2 sites provavelmente serão pessímos de se navegar e te presentearão com vírus e ameaças.
  6. Artistas estão usando a pirataria a seu favor, eles mesmos estão apoiando > De onde tiramos isso? Podemos contar nos dedos os poucos artistas que conseguem ser remunerados por outras vias E QUE TAMBÉM não ligam para o fato de perderem vendas legítimas. Se não pode combatê-la, tente tirar o máximo proveito dela. Isso sim, incentivá-la não. Quem se beneficia com a pirataria não precisa dela – é só colocar seu trabalho para download gratuito, doar seu livro para as lojas.
  7. Bom senso > Enquanto tudo mais parecer nebuloso, estivermos aguardando as novas Leis e decisões, vamos continuar usando o BOM-SENSO. Qem criou tem o direito de escolher – doar, vender, emprestar, guardar. Ferir um artista implica em retirar o seu incentivo de criar mais e melhor. Praticar o crime, fechando os olhos, é ser cúmplice e incentivá-lo. Dar maus exemplos é plantar um futuro cada vez menos justo, menos culto, banal. Opa, será que já chegamos no futuro?

(Sim, eu já cruzei um sinal vermelho e cometi outras infrações, mas procuro entender as implicações e evitá-las, cada dia mais. São simples atos, como não disponibilizar músicas não autorizadas para download nos meus sites, não citar artigos e produtos sem dar os devidos créditos, não lucrar às custas dos outros, reconhecer e corrigir os erros de direitos autorais, incentivar a reflexão)

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