Quando a Música não Rola

In blog by zasnicoff

O R.E.M. deve estar entre as bandas mais inovadoras e originais das últimas décadas (fica até difícil caracterizar o estilo, College Rock?). Sempre vejo grandes nomes da música citando o R.E.M. e sobretudo, o vocalista Michael Stipe, como importantes referências no cenário.

Natalie Merchant também é famosa no meio. Com um timbre único e marcante, cantou grandes sucessos de seu grupo “10.000 Maniacs” e outros clássicos de terceiros que marcaram a nossa adolescência.

Natalie Merchant & Michael StipeOs dois são mais do que bons amigos e juntos fizeram várias participações ao vivo.

Há muitos anos (esta gravação em particular é de 1993) que ouço uma destas parcerias no rádio do carro e algo sempre me incomoda. Hoje de manhã, escutei de novo e resolvi pesquisar na Internet, para ver se mais alguém compartilhava da minha opinião: existe um erro de produção.

O sintoma é relativamente claro, mas o diagnóstico não. Seria pré-produção? Interpretação? Acompanhamento? Gravação? Monitores? A música simplesmente não “rola”.

Como vocalista na época da faculdade, eu aprendi que algumas músicas simplesmente não funcionavam na minha voz. As razões? Diversas, complexas. Era tão difícil resolver que tínhamos que descartá-la do repertório e buscar outra.

Hoje, depois de trabalhar na área e presenciar os mesmos problemas dentro do estúdio, tenho algumas teorias:

Tom inapropriado impede que o(a) vocalista solte a voz, que soe forte e natural. Também depende da elasticidade da música e do cantor.

Vícios de interpretação. Pode ser que em algum ensaio, o vocalista cantou errado e impregnou a experiência no cérebro. Não consegue mais fugir do problema e acertar a melodia.

Nervosismo, ansiedade, normalmente na primeira música.

Falta de retorno adequado. Inteligibilidade, volume, mix, congestionamento. Quer desafinar um cantor no palco? É só alterar o retorno dele. A responsabildiade do engenheiro de monitor é enorme, precisa ser muito experiente.

Duetos muitas vezes implicam em adaptações de arranjo, transpondo a canção para uma tonalidade que se encaixe nas duas vizes. Há produtores menos flexíveis nesta questão que insistem que o artista convidado no show (ou no disco) é secundário. Quem manda no tom seria o artista principal. Acho que concordo, mas nem sempre é tão simples assim.

– Mudanças de tonalidade também afetam diretamente a sonoridade da música, principalmente quando há cordas e metais acústicos. Como se sabe, os instrumentos acústicos tendem a “preferir” algumas tonalidades e podem soar inexplicavelmente estranhos quando transpostos.

Teorias a parte, te convido a ouvir até o final para me dizer sua opinião. Aparentemente, os próprios artistas quiseram apagar este registro, porque das dezenas de referências que encontrei na Internet, somente uma não foi retirada do ar, nesta página no MySpace. A música chama-se “To Sir with Love”:

http://fr.myspace.com/index.cfm?fuseaction=vids.individual&VideoID=43558777

Não concorda comigo que tem algo estranho? Parece que os cantores perderam o gás. Até os instrumentos soam errados. Qual é a sua teoria?