O Artista Pode se Reinventar?

In blog by zasnicoff

Préliminaires - Iggy PopTalvez a questão nem seja se “pode”, mas se “deve”. Iggy Pop se reinventou, totalmente. E parece que funcionou.

Confesso que nunca acompanhei sua carreira de perto, a ponto de comprar discos ou escutar suas músicas com frequência. Mas já era notável que seus momentos de Rock Superstar ficaram no passado. Muitos fãs diziam que os últimos álbuns eram bem fracos. Tem um jornalista que chegou a pedir para ele parar de gravar.

Este mesmo jornalista, hoje, diz estar feliz por ele não ter escutado seu pedido. Aos 62 anos, Iggy Pop teria lançado um dos seus melhores trabalhos.

O recém-lançado “Préliminaires” vai totalmente na contra-mão, concretizando o discurso do rockeiro: “em algum momento, fiquei cansado de ver delinquentes balançando as guitarras em canções horríveis”. O novo álbum tem um clima New Orleans, jazz de rua, com boas letras e histórias, até em Francês ele canta.

A inspiração veio de um livro que isolou o compositor por um ano inteiro, num chalé afastado, aperfeiçoando as canções, longe do circuito das gravadoras.

Não vejo a hora de comprar o meu e escutar com calma. Dizem que é uma viagem, que seus vocais estão melhores do que nunca, um artista totalmente renascido e reecontrado.

A história da música não deve ter muitos casos desses. Uma coisa é manter-se na crista da onda, adaptando músicas a estilos atuais. Algo que a Madonna faz muito bem, sempre reinventando o pop dance. Outra coisa é reinar, morrer e renascer.

Uma boa lição para aqueles que também já perderam sua glória e insistem em mantê-la, forçando mais do mesmo. Mas algo ainda me preocupa: parece que as boas novidades sempre acabam remetendo ao passado. Jazz de New Orleans não é exatamente algo que podemos chamar de “novo”.

Recriar o rock está cada vez mais difícil. Quem será que vai conseguir?

(beijos para minha irmã que mandou a notícia)


O vídeo é longo, mas dá para ter uma boa idéia do som no últimos minutos.