Quem é Quem na Indústria Musical

In blog by zasnicoff

Selo de Gravadora - daí surgiu o termo "selo"Se profissionais veteranos da Música têm dúvidas, imagine quem está começando. De fato, tenho recebido muitas perguntas sobre as relações na Indústria Musical.

É difícil entender alguns conceitos do Music Business, por diversos motivos. Falta de literatura especializada, confiabilidade de artigos e fórums, legislação dúbia, diferenças entre países e práticas atuais via Internet. Sempre conto com meu advogado na hora de assinar um contrato, tranquilizando a mim e a meus clientes, mas é sempre bom conhecer os caminhos do meio musical.

O que escrevo a seguir é uma visão “resumida” e, de certa maneira, uma interpretação particular de alguns dos conceitos. Nem sempre as relações entre profissionais e empresas funcionarão assim, principalmente numa época onde estamos descobrindo novos profissionais e modelos de negócios.

O COMPOSITOR

Deve sempre registrar suas composições, música e/ou letra, para que nada se perca no caminho. Não estou falando do sentido legal da palavra, Biblioteca Nacional ou algo do tipo. Este assunto está coberto neste artigo.  Refiro-me a alguma maneira de arquivar sua criação, em texto, áudio, partitura. Se souber tocar e cantar, melhor ainda, mesmo que não seja um bom intérprete, o importante é gravar, para que os outros possam entender sua idéia.

Quando o compositor não dobra como intérprete/artista, então não precisa se preocupar muito com produtores musicais ou gravadoras. Seu objetivo é compor e conseguir que suas obras sejam licenciadas: apresentações ao vivo, gravações, songbooks (partituras) e ring tones.

Já que existem várias fontes de negócios para um compositor e normalmente ele(a) está concentrado(a) em compor, seu melhor amigo é…

A EDITORA

É tradicionalmente a entidade responsável por promover um compositor / autor. Através de um contrato com tempo e participação definidos, a editora procura interessados em licenciar seu repertório. Seu objetivo é gerar negócios para seus clientes-compositores, procurando intérpretes famosos para tocar/cantar, gravadoras para desenvolver uma carreira, produtores para gravar um CD Demo de divulgação ou agências de publicidade que precisem de trilhas para seus comerciais.

Se por um lado o compositor divide as rendas com a editora, por outro, esta entidade possui os contatos e a visão de mercado para aumentar consideravelmente as chances de sucesso. Nos tempos atuais, é cada vez mais comum a função de edição (publishing) ser realizada por um produtor executivo, algum departamento de uma gravadora, pelo selo independente ou até mesmo pelo autor/compositor que se especializou nisso.

Assim, é responsabilidade do compositor / editora divulgar e gerar negócios para suas obras. Muitas vezes, mas nem sempre, a utilização (licenciamento) conseguida envolverá a criação de um arranjo, ajustes, contatos, contratações, gravação em estúdio, mixagem e masterização. Enfim, uma produção musical coordenada pel…

O PRODUTOR (MUSICAL)

Pessoa física que transforma uma obra musical (idéia ou composição) em uma gravação (fonograma) original, ainda que seja uma nova versão de uma música já publicada. Esta gravação terá uma interpretação única, bastante relacionada ao estilo do produtor, aos músicos selecionados, estúdios, técnicos e equipamentos utilizados. O fonograma pode ter sido produzido especialmente para um filme, um comercial, uma peça de teatro, um disco ou um single em MP3 para o site do artista.

A produção pode ter diferentes objetivos, mas sempre precisa de uma obra (portanto um compositor e sua autorização), uma equipe de músicos, técnicos e um registro oficial que identifica o país, produtor fonográfico, ano e número sequencial. Veja este artigo que compara produtor musical com com produtor fonográfico, que é quem assina um fonograma. Quase sempre, a própria gravadora, produtor musical ou selo (o termo “selo” vem justamente da etiqueta usada nos discos de vinil, como esta da foto).

Um produtor musical é contratado para um projeto que termina com a geração da master. A partir daí, divulgação, eventual prensagem de cópias, divulgação, distribuição, promoção etc. devem ser coordenadas pelo próprio artista/banda, pelo selo contratante ou por um produtor executivo, agente, manager, empresário.

Historicamente, o produtor musical é um funcionário ou prestador de serviços d…

A GRAVADORA

Basicamente, a empresa que tem a função de gerar fonogramas. Normalmente é a detentora da master e titular dos direitos de utilização dela, juntamente com outros titulares conexos, incluindo o própripo autor, músicos acompanhantes, produtor musical, arranjador, técnico etc.

Tradicionalmente, uma grande gravadora possuia todos os recursos, humanos e tecnológicos, para o lançamento de um disco e de um artista. Departamento de artistas e repertório (A&R – uma espécie de editora interna), departamento jurídico, departamento de marketing, departamento de vendas, departamento de produção (com produtores musicais fixos e free-lancers), estúdios de gravação, maestros, arranjadores, músicos parceiros…. enfim, a infra-estrutura necessária para lidar com artistas, desde a composição até a venda dos fonogramas.

Ao mesmo tempo, alguns escritórios e profissionais da gravadora se especializavam em um estilo musical em particular. Consequentemente, em um perfil de público, compositores e estilo de produção. Surgiam, assim, os selos, ramificações da gravadora que utilizavam a infra-estrutura comum, mas possuiam “vida própria”.

Com o declínio do modelo tradicional, onde a gravadora desenvolvia artistas e planejava uma carreira sólida, com longa discografia, poucos artistas continuaram contratados pelas grandes (conhecidas como majors). Boa parte da produção atual acontece nos selos independentes (pequenas gravadoras), criados muitas vezes pelos próprios artistas. Os selos gerenciam produção, registro, divulgação e comercialização, possuindo seus próprios estúdios, técnicos e produtores ou então contratando terceiros. Muitos selos também funcionam como editoras, oferecendo um “serviço completo” para artistas que cantam e tocam suas próprias composições.

PLANEJAMENTO

O artista “totalmente independente”, sem contratos com editora ou gravadora, deve ter em mente que todas estas atividades essenciais precisam ser planejadas e executadas por alguém. Pelo próprio artista/compositor, pelo seu produtor musical, ou ainda por um assessor de imprensa, produtor executivo, empresário ou quem quer que seja. As atividades incluem: gravação de demo, registro das obras do compositor, busca de licenciamentos, divulgação, direção artística de shows, registro de ISRC, controle de arrecadação e distribuição, assessoria jurídica, desenvolvimento de artista e repertório, distribuição e arrecadação.

No próximo artigo de Music Business, você verá algumas dicas de como iniciar sua carreira como compositor, artista ou produtor!