Profissão: Produtor Musical

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Profissão: Produtor Musical - Dennis Zasnicoff - não sou eu na foto !Parece que finalmente algumas universidades criaram cursos especializados na área. Ainda não sei se existe um título oficial para “Produtor Musical”, se a profissão é reconhecida no MEC ou se há uma grade curricular recomendada. Mas é verdade que estão acontecendo progressos na área de formação.

Procuro responder todos os emails que recebo e, uma das perguntas mais frequentes, é como fazer para se tornar um produtor musical.

Se estudarmos a história de alguns produtores famosos, veremos que os caminhos tomados por eles são bem distintos e variados. Mas todos parecem ter algumas qualificações em comum.

QUALIFICAÇÕES DO PRODUTOR MUSICAL

  • Formação musical. Seja formal, via Faculdade de Música ou informal, participando de bandas, um produtor musical deveria ter bons conhecimentos de História da Música,Teoria Musical, Escalas, Acordes, Harmonia, Ritmo, Orquestração, Ouvido Absoluto e/ou Relativo. Tocar algum instrumento, ter escutado bastante música, discos variados, instrumentos e timbres.
  • Engenharia de Áudio. Neste caso, os cursos são mais disponíveis e às vezes aparecem como especializações da grande área da Engenharia. Um Engenheiro de Áudio (ou Técnico de Som) teoricamente teria uma formação mais rígida do que um produtor musical, que precisa ter conhecimentos amplos e uma visão generalista. Ainda assim, a grande maioria dos produtores musicais já trabalhou como técnico, conhece as tecnologias e as técnicas de gravação e mixagem, além dos principais equipamentos e como operá-los dentro do estúdio e da técnica.
  • Habilidades inter-pessoais que favoreçam a comunicação com diferentes públicos, administração de conflitos, gerenciamento de tempo e orçamento, foco no resultado, confiança e tomada de decisões. Estas habilidades podem se originar de diferentes trabalhos, cargos e profissões. No final do dia, costumo dizer que a profissão do produtor resume-se a “tomar decisões”, evitando voltar atrás. Isso significa que nem sempre todos entenderão ou concordarão com suas decisões. Para tanto, você precisa ser perseverante e confiar nas suas habilidades.
  • Horas de vôo. Particularmente, eu posso fazer um paralelo com piloto de avião porque fiz aulas de pilotagem na adolescência. Acabei descobrindo, depois de algumas horas de vôo, que tudo aquilo que eu havia estudado não me ensinou a voar de fato, mas sim, permitiu que eu tivesse a tranquilidade para me concentrar em “voar”. Não precisava prestar muita atenção no processo, mas estava preparado para tomar decisões quase que automáticas. A cada hora de vôo, tudo ficava mais claro, como mágica. E cada vez mais fácil. No final das contas, acabei percebendo que não levava muito jeito para voar e decidi não encarar aquilo como profissão. Ainda gosto muito e acredito que se tivesse continuado, viraria um bom piloto, depois de muitas e muitas horas de vôo. Tenha paciência e não desista se tiver certeza que quer viver disso. Grave, grave e grave mais.
  • Saber lidar com os erros. Como esta profissão não envolve perigo de morte e é tanto artística quanto técnica, há muito espaço para experimentação. E experimentação significa, naturalmente, erros frequentes. Com certeza, a frequência dos erros vai diminuindo conforme a “intuição” amadurece, mas nunca se sabe como um artista ou um novo equipamento irá reagir  a uma determinada situação. Bola pra frente, estude o erro e mude as condições para que ele não volte a acontecer. Procure trabalhar com profissionais que também sabem lidar com as falhas e aprendem com isso. Não espere estar sempre certo, nem contratar técnicos infalíveis ou músicos perfeitos.
  • Como e quanto cobrar. No começo, não espere ganhar muito dinheiro. Na verdade, prepare-se para trabalhar de graça, encare isto como o custo da “faculdade” e das “horas de vôo”. Mas quando perceber que seu profissionalismo e o resultado do seu trabalho são comparáveis a de outros profissionais, cobre o que eles cobram, não tenha vergonha nem medo. Nada mais justo. Em qualquer empresa ou atividade, normalmente o grande culpado dos baixos salários e remuneração injusta é o próprio profissional, que não se valoriza. Encare todo e qualquer projeto como um grande projeto, com contrato, prazo e custo, ainda que seja R$10. É claro que, sem as qualificações acima, não seria justo nem eficaz cobrar o mesmo que profissionais mais experientes. Outros fatores que influem no custo são: mercado local, concorrência, oferta, demanda, fama, histórico, confiabilidade.
  • Ouvidos Treinados. Você já ouviu falar que um bom desenhista é, na verdade, um bom observador? Pois é, um bom músico, técnico ou produtor é, sem dúvida, um bom ouvinte. Ouça música, os sons da natureza, sinfonias, discos inteiros, o som do “silêncio”. Repare nos detalhes. “Veja” as salas com os ouvidos, mude de posição e escute aas diferenças. Acústica é fundamental, não importa o que te digam, nunca duvide disso. Uma boa sala sempre será uma boa sala. Não se contente com pouco e busque sempre tirar o melhor som possível. Alguns minutos de testes podem fazer toda a diferença.
  • Pré-Produção! Otimizar a música, ANTES de ir para o estúdio gravar. Incorporar a função de músico, maestro, arranjador, letrista, técnico, ouvinte, pai, irmão, executivo, amigo. O produtor é responsável pela música final, pelo disco ou pelo MP3 do single, mesmo que o resultado recaia sobre a banda ou o artista. Portanto, responsabilidade dobrada. O objetivo é sempre o mesmo: a Música (ou na linguagem do meio, o Fonograma). E não qual microfone foi usado, que versão do Protools, se os músicos erraram durante a gravação ou se alguém deu pitaco nas letras.

Tenho muitas e muitas horas de vôo pela frente. Na verdade, como alguns de vocês sabem, na minha vida eu trabalhei muito mais tempo como vendedor, engenheiro e gerente do que como produtor. Mas hoje já tenho a segurança para passar estas dicas. E sempre, a todo instante, estou escutando e lendo as dicas dos mestres. Se você está começando agora, em pouco tempo você vai sentir o que estou falando!

ONDE ESTUDAR?

Infelizmente não há muitas escolas especilizadas na área ou cursos de Produção Musical. Alguns dos mais famosos tendem a se concentrar em assuntos específicos, como equipamentos e softwares. Sei disso porque dou aulas para muitos alunos que vieram destas escolas, normalmente com bons conhecimentos sobre técnicas e ferramentas, mas com ouvidos pouco treinados e uma fraca noção do papel do produtor musical.

Minha sugestão: procurar um estágio, ainda que não seja remunerado. Fazer aulas particulares com profissionais que trabalham na área. Junte um grupo e agende algumas aulas intensivas, bem práticas, sobre os assuntos acima. Se precisar, saia de sua cidade durante uma ou duas semanas. Quer férias mais legais? Converse com ex-alunos das escolas para entender o que eles acharam dos cursos e com que estão trabalhando. Fique de olho nos novos cursos profissionalizantes que estão surgindo. Grave em casa. Vá a concertos. Compre bons livros, a maioria está em Inglês.

O Maurício e o Felipe são alunos meus, de uma turma que está concluindo o curso. Pedi que eles compartilhassem algumas idéias (ao mesmo tempo, fazendo o meu comercial, por que não?):

Maurício Wallace

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Em todas as ocasiões em que eu tive dificuldades, a melhor saída sempre foi estudar. Tanto em termos de instrumento, voz, como agora no caso do áudio. O grande lance do curso, é que você deixa de analisar as coisas tendo como base apenas o bom gosto, mas passa a compreender vários aspectos e adquire técnica. E o mais interessante é que a didática do Dennis e os exemplos utilizados facilitam MUITO na absorção dos conceitos.quote

Maurício Wallace

 

quote2Felipe Kamakura

 

O Dennis é um cara que leva jeito para ser professor, possui uma excelente didática. Ele sempre busca ser prático e foca naquilo que é útil, passando o conteúdo com bastante clareza, com auxílio de ótimos exemplos e exercícios práticos. Para quem quer se aprofundar no mundo da Produção Musical, recomendo fortemente fazer seus cursos!quote

Felipe Kamakura

 

Agora que tal sair da frente desse computador e gravar alguma coisa!

>>> Veja a PARTE II deste artigo.