ECAD_malvado

ECAD, Blogs, YouTube e Pitacos

In blog by zasnicoff

ECAD_malvado

Como muitos já sabem – é trend no Twitter desde ontem – o ECAD propôs cobrar uma taxa mensal de blogs que inserem vídeos do YouTube. Aparentemente, saiu cobrando por aí, sem pudores. É claro que a reação viria sem tardar.

Mesmo sob o risco de ser bombardeado – e sei disso desde o primeiro dia que resolvi começar o blog – preciso comentar. Espero que os leitores enxerguem um ponto de vista diferente, para que reflitam e tirem suas próprias conclusões.

Para variar, 90% dos comentários que li a respeito vêm de pessoas que demonstram não ter o mínimo conhecimento sobre as funcionalidades básicas do ECAD (ASCAP, BMI ou qualquer órgão semelhante no mundo). Piadas sem graça, opiniões infundadas, comentários que transparecem ignorância, motivados pelo simples ato de seguir a maré e protestar contra o sistema, contra a máquina. Na verdade, contra as cobranças – cobranças em geral, todo e qualquer tipo de cobrança, porque reclamar de cobrança é legal.

Não pretendo e não vou neste momento entrar em nenhuma questão particular dessa proposta. Sim, talvez o valor cobrado seja desproporcional e injusto, talvez os blogs não possam ser considerados “retransmissoras” de música, talvez nem todo blog se enquadre no modelo imaginado, talvez seja caracterizada cobrança “dupla” sem nexo, talvez isso, talvez aquilo, talvez um monte de coisa.

O que me mais me preocupa, no entanto, é a percepção generalizada de que o ECAD ganha dinheiro sem fazer nada, que explora artistas e produtores, que é conivente com gravadoras e até inimigo (?) delas.

Mais uma vez, não vem ao caso a suspeita de desvio de verba ou de mal gerenciamento de recursos. Não vem ao caso a política de contabilização e distribuição adotada pelo escritório. O que vem ao caso é a intenção de cobrar blogueiros e minha opinião é que ela faz sentido sim. Não só pelo que está descrito na lei, mas pelos conceitos universais de direitos autorais e propriedade intelectual.

Em última instância, o ECAD representa os artistas e são os artistas e demais titulares – como um grupo – que deveriam decidir e arcar com as consequências. É melhor cobrar ou não? O faturamento final vai aumentar? A indústria será beneficiada? Teremos maior incentivo à criação? E quanto ao consumidor? E os blogueiros? No final do dia, os titulares serão beneficiados ou não? Prós e contras? Não é nada fácil responder essas questões.

Sou blogueiro, mas antes de tudo sou interessado na música e no business da música. Procuro estudar antes de opinar, bem como me isentar de interesses pessoais e, nesse sentido, digo o que ainda não ouvi ninguém dizer sobre a polêmica: a proposta tem fundamento.

Cobranças como essa – que remetem ao formato de licenças compulsórias da lei americana de copyright – são provavelmente um dos melhores recursos existentes para compositores, editoras, artistas e produtores e, não por acaso, existem e funcionam há muitos anos.

O que acontece com as pessoas? Todo mundo quer consumir tudo de graça. Querem usufruir o máximo possível dos recursos criados por terceiros, sem pagar nada. Querem se divertir, aprender, acessar, baixar, ouvir, ler, vender, conhecer, sugar – sem pagar nada. Isso sim é exploração!

No passado, quando o ECAD começou a cobrar lojas e restaurantes, foi a mesma história. “Que absurdo!” – reclamavam. Oras, se a sua loja quer compor músicas e contratar dois violeiros para tocarem o repertório para seus clientes, que assim o faça e garanto que não precisará pagar nada ao ECAD. Mas é muito mais conveniente ligar o rádio e deliciar os clientes com músicas que foram produzidas, financiadas e promovidas por outros, não?

Uma pena que pouquíssimas pessoas pareçam estar interessadas em compreender este ponto de vista. Só assim existiria uma discussão promissora que, no final das contas, viria beneficiar toda a cadeia – inclusive os próprios blogs de música.

É mais fácil reclamar.