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Grammys Digeridos

In blog by zasnicoff

grammys-2012-worst-dressedAproveitando o Oscar e tendo conseguido digerir os Grammys 2012 passados alguns dias, comento – foi tanto desgosto que nem sabia o que escrever. Então, nos textos de Bob Lefsetz, encontrei o que procurava para resumir meus sentimentos.

Ano passado, meu filho tinha dois meses de vida e eu mal consegui assistir à cerimônia. Achava que este ano seria mais fácil. Ilusão! Quem tem filho de um ano já imagina: nem consegui ligar a TV. Ainda bem, porque o que vi e li depois dos fatos não me animou em nada.

No entanto, tem uma monte de coisa boa acontecendo no mundo da música, sobretudo no que diz respeito ao comportamento do público, e o Grammy 2012 revelou dados interessantes. Foram 13 milhões de comentários em redes sociais durante o evento. Recorde absoluto. Bateu o Superbowl, que é supostamente, há vários anos, o horário mais caro de TV para anunciantes – e o programa mais assistido do mundo.

Isso nos faz lembrar de algo bem simples: o poder da música. Nada mais. A cerimônica pode ter sido horrível, com prêmios injustos, apresentações fracas e escolhas duvidosas, mas a Música (com letra maiúscula) movimenta as pessoas, instiga, incita, convida, como quase nada neste mundo. E é isso que me motiva todos os dias.

A propósito, a maioria dos comentários foi negativa. O público tem opinião e não perdoa, porcaria de cerimônia! Quem viu o Brit Awards percebeu a diferença entre um ótimo evento e um evento medíocre. Parece que os Estados Unidos estão precisando de uma nova invasão britânica. Pensando bem, ela já está acontecendo, basta ver quem reinou neste Grammy.

Aprendemos também que a música fala mais alto do que qualquer produção visual.

Não é o cenário, nem a luz, nem o figurino. Nem o hype de mega-super-celebridade-instantânea-previsível-sem-graça. É o som. A música. Quem impressionou mais: Adele ou Nicki Minaj? Quem vendeu mais?

Concordo que o disco “21” não é lá essas coisas – apesar de ter 1 ou 2 singles merecedores – mas juntando a musicalidade de Adele, sua simplicidade e sinceridade, com a falta de um disco melhor no departamento de marketing das grandes gravadoras, o resultado não podia ser outro. E que bela artista, personalidade, noção de carreira! Essa vai longe.

(vale comentar que o disco “21” teve um ótimo planejamento de marketing – vide última Billboard com Adele na capa para detalhes – sendo um bom caso de sucesso para estudar)

Falando em musicalidade, parece que o melhor momento da noite foi inusitado e rápido, quem bobeou perdeu: os breves segundos de Stevie Wonder na gaita, brincando de “Love Me Do”, antes de apresentar o Paul McCartney (que por sua vez mostrou ser um total desconhecido de milhares de jovens no Twitter – um absurdo à parte). Dá-lhe Stevie!!! A platéia não aguentou, começou a bater palma e a dançar. Isso é soul, isso é sentimento!  E foi isso que fez falta, mais uma vez, no Grammy.

Se houve algo de bom nas últimas edições foi a oportunidade de conhecer bandas e músicas novas. Mas com as ferramentas atuais que nos permitem descobrir e ouvir uma banda de bluegrass do interior da França, quase nada do Grammy é novidade. E o Grammy definitivamente se tornou arcaico, sem apelo de algo novo e interessante.

Lefsetz comenta, com propriedade:

“O site do Brit Awards parece ter sido criado ontem. O site do Grammy parece ter sido desenvolvido pelo sobrinho de alguém, em 2004.”

“É claro que todo mundo gosta de Dave Grohl, mas se Dave Grohl é o nosso melhor rockeiro, estamos perdidos.”

“Música deveria ter um caráter de “novo”, “fesco”. Juntar Chris Brown com David Guetta e Dave Grohl com Deadmau5 não tem nada a ver com isso.”

Concordo totalmente. O Grammy estava desconectado do público e não representou a boa música do mundo (que embora escassa, ainda existe). Foi uma piada.