Por Que é Tão Difícil Masterizar?

In blog by zasnicoff

everestAdorei esta pergunta recente no blog. Simples, direta, objetiva.

(para uma explicação sobre o que é masterizar, veja este artigo)

Normalmente as pessoas escrevem longas perguntas, situando suas dúvidas em um contexto, apresentando-se, compartilhando seu nível de experiência e suas frustrações. Nada contra. Mas não há nada como uma pergunta direta e objetiva. E para estas, não há nada melhor do que uma resposta também direta e objetiva!

Por que é tão difícil masterizar? Porque masterizar é muito difícil.

Acha que estou de brincadeira? É sério.

Por que é tão difícil escalar o Everest? Porque escalar o Everest é muito difícil.

Ninguém disse que ia ser fácil. Ninguém espera que seja fácil. Poucos atletas se propõe a isso e menos ainda conseguem completar seu objetivo. Requer treinamento intenso, de vários anos, preparação física e mental, experiência e auto-confiança

Agora traduza tudo isso para o áudio.

Engenheiros de masterização trabalham com áudio há décadas. Possuem ouvidos treinados, salas especiais e equipamentos próprios. Mas acima de tudo: experiência.

No passado, eles já manipularam áudio em inúmeros projetos menores. Fazem isso diariamente. Foram aumentando o grau de complexidade aos poucos. Aprenderam a confiar nos ouvidos e não se influenciar por salas e monitores enganosos. Estão acostumados e escutar o áudio, e não a música – na verdade não possuem qualquer ligação sentimental com a música que estão equalizando e comprimindo, e isso facilita bastante.

Olhe as fichas técnicas dos CDs comerciais e anote quantos estúdios de masterização de fato participam do mercado. São poucos. Isso é o grande indicador que se trata de uma atividade altamente especializada.

Como alguém que está dando seus primeiros passos no áudio pode esperar saber masterizar? Masterização é o Everest do áudio. Ponto final.

Eu trabalho com áudio há alguns anos, mas não me sinto capaz de masterizar como os grandes mestres. Uso minha breve experiência, sem pretensões de competir no mercado. Quem sabe um dia eu chegue lá. Posso até ensinar como fazer (e ensino na Academia), pois conheço as técnicas, os mitos e verdades. Mas não posso ensinar a “experiência” e nem aprender em um livro, é preciso praticar.

É mais arriscado ainda quando masterizo minhas próprias produções, porque além do envolvimento emocional, já escutei aquele som dezenas e dezenas de vezes – não posso fazer um julgamento confiável.

Por contraste, um engenheiro de masterização costuma trabalhar um disco inteiro em poucas horas, sem nunca ter escutado aquelas músicas antes. Faz o possível para não estender o projeto além disso, de modo a manter os ouvidos frescos e confiáveis.

Havendo orçamento, sempre recomendo que meus clientes façam a masterização (e também a mixagem) com engenheiros e estúdios especializados. Não são baratos, mas são ágeis e confiáveis. E assim eu posso me concentrar na produção.

Masterizar também envolve inúmeras questões técnicas que simplesmente requerem estudo. Não é nada fácil compreender como funcionam os diferentes perfis de ruído de dithering. O que pode causar jitter ou alterar uma cópia digital? O quê? Cópias digitais não são idênticas? Mesmo que você simplifique “masterização” como “fazer soar comercial”, ainda assim não é nada trivial.

É verdade que esta etapa irá influenciar na sonoridade final, mas também é verdade que as etapas anteriores são muito mais determinantes do resultado. Em outras palavras: não basta uma boa masterização para fazer sua música soar profissional. Nem mesmo o melhor engenheiro e o maior orçamento poderão consertar uma música mal arranjada, interpretada, gravada ou mixada.

E adivinhe! Esta é a grande questão para quem sofre masterizando. O problema não está só na masterização, mas naquilo que vem antes. Muitos iniciantes esperam que uma masterização mágica possa salvar aquela produção deficiente… melhor seria assumir que ainda não é hora de esperar um som comercial, aprender aos poucos, dar um passo adiante.

Por outro lado, a masterização mal feita pode destruir completamente uma produção primordial. Por isso não se pode pecar nesta fase. Se a produção merece, não pense duas vezes em contratar uma masterização que faça juz à qualidade e ao potencial do projeto. Uma das maiores competências do produtor é saber onde gastar o orçamento do cliente.