Vale a Pena Comprar Plugins?

In blog by zasnicoff

vst-pluginsPlugins freeware e shareware existem aos montes, e muitos deles desempenham perfeitamente o seu papel. Será que vale a pena gastar centenas ou milhares de dólares em plugins “de marca” que prometem milagres?

Antes de mais nada, acho importante separarmos os plugins em algumas categorias.

– Simples / Objetivos

– Complexos / Críticos

– Remodelagens Virtuais


Na primeira categoria, temos os plugins de uso frequente, que participam praticamente de todas as pistas da mixagem para realizar um processamento objetivo, tradicional, sem segredos, porém essencial.

3 exemplos comuns seriam: equalizador, compressor e delay.

Desde que os filtros de áudio existem, um equalizador tem uma simples função: filtrar, atenuar ou realçar frequências. A grande maioria dos plugins, inclusive aqueles que já acompanham o software de produção (DAW), nos permite regular quais são as frequências, os ganhos e a largura de banda (Q). Excelente! Em termos de equalização, é isso que precisamos para mais de 90% das pistas.

O que pouca gente sabe, é que os equalizadores virtuais usam, quase sempre, o mesmo algoritmo matemático. Ou seja, funcionam da mesma forma, com a mesma qualidade e os mesmo controles. De uma maneira simplista, pouco importa qual é o modelo ou o fabricante, você chegará nos mesmos resultados.

Isso pode ser provado através de um simples teste de cancelamento. Duplique uma pista no software e inverta a fase da cópia. Com as duas no mesmo volume, seguindo para o mesmo barramento, verifique se estão alinhadas e invertidas: o som resultante deve ser nulo, silêncio total. Na primeira, inserte um equalizador qualquer e faça ajustes aleatórios em algumas bandas. Na segunda pista (invertida), inserte um outro modelo de EQ e faça os mesmos ajustes.

Provavelmente o som irá se cancelar, provando que os dois EQ estão fazendo a mesma coisa. Se não houver cancelamento total, procure realizar ajustes finos em um deles até conseguir o silêncio. Se ainda não conseguir, repare como o som resultante é praticamente nulo, provando que dificilmente esta diferença, gerada por um dos EQs, será responsável por um milagre ou diferença notável na mixagem.

Em último caso, é possível que um dos EQs tenha algum comportamento muito fora do padrão. Estamos diante de um modelo complexo ou uma remodelagem (próximas categorias).

Antes que os puristas protestem, é claro que existem modelos que fogem do padrão. Podem possuir controles mais detalhistas, como taxa de corte por oitava, processamento de fase linear ou curvas diferentes de Q. Mas estes são as excessões e raramente precisamos deles.

Da mesma forma, compressores foram projetados para comprimir. Óbvio, não? Eles reagirão aos nossos comandos de thrshold, ratio, attack e release. O segredo de qualquer compressão é COMO e QUANDO ajustar estes controles, e não como esta compressão é realizada internamente pelo plugin. É só usar os ouvidos e chegar no resultado esperado.

Na minha experiência, sempre consegui chegar na compressão desejada usando QUALQUER plugin compressor. Nunca me convenci que tal modelo expecífico pudesse oferecer uma redução de ganho ou modelagem de envoltória que outros não pudessem.

É claro que também existem as excessões, sobre as quais já comentaremos.

Quanto aos delays, eles simplesmente geram atrasos. No áudio digital, este processo é ridiculamente simples. Escolhemos a taxa de repetição, o tempo de atraso e pronto. De novo, o resultado sonoro de um delay será determinado muito mais por estes ajustes e pelo tratamento do retorno (panorama, EQ, compressão), do que pelo plugin em si.


Então por que existem os plugins considerados únicos, diferentes, desejáveis, caros?

Primeiramente, não podemos desprezar o poder do marketing, das percepções, do endorsement, das marcas e modelos. Como tudo na vida, sempre existirão as marcas que conseguiram se destacar e podem cobrar mais por seus produtos. Se vale o preço ou não, é uma questão que nem pretendo tentar discutir. Afinal de contas, na maioria das vezes, não tem nada a ver com “qualidade de áudio” ou qualquer processamento milagroso.

Deixando o marketing de lado, naturalmente existem plugins que soam diferentes.

Efeitos complexos, como os de modulação (chorus, flanger), distorções, harmonizadores, criadores de harmônicos, realçadores de transientes, maximizadores de volume e vários outros, são como um “tempero” secreto. Como pedais de guitarra. Soam diferentes? Sem dúvida! Qual o melhor? Impossível responder.

Cada fabricante usa seu próprio algoritmo e muitas vezes estamos falando de processadores que demandaram muitas horas-homem de desenvolvimento. São códigos complexos e patenteados, não há como serem oferecidos de graça e, para muitos, são ferramentas insubstituíveis.

Na minha opinião, mesmo nestes casos, continuo achando que existe um exagero por parte dos usuários. Se, por algum motivo, eu não puder usar os plugins com os quais estou acostumado, certamente não vou me desesperar. Vou levar mais tempo para editar e mixar, mas não tenho problema nenhum em abrir mão de algum efeito em particular.

Aliás, cada vez mais, utilizo os plugins inclusos no próprio DAW. Qualquer pacote decente conta hoje com diversos efeitos de modulação, simuladores de amplificadores e gabinetes, distorções, EQs, compressores, delays. É só escutar e ajustar, você vai chegar lá!

LIMITERs, por sua vez,  costumam ter comportamentos bem diferentes, já que estamos lidando com tempos de ataque e release muito rápidos, além de recursos como look-ahead, diminuição de distorções e teto absoluto. Trata-se de um exemplo de plugin que merece um cuidado especial, valendo a pena investir em modelos robustos e confiáveis.

Ainda não encontrei um limiter gratuito que fosse satisfatório. Medidores bons e confiáveis também são raros (analisadores de espectro, RMS etc.).

Neste mundo dos plugins complexos, gosto de citar um outro caso à parte: REVERBS.

Para mim, aí está um efeito que faz TODA a diferença. Durante muito tempo, reverb barato ou reverb de graça era sinônimo de som ruim. E com razão.

Reverbs estão entre os processamentos mais complexos do mundo digital. Simular uma reverberação natural requer MUITO processamento, um código eficiente e anos de pesquisa. Não me importo em usar qualquer EQ, compressor, delay, efeito de modulação ou o que seja, mas não abro mão de um bom reverb.

Felizmente, o processamento de CONVOLUÇÃO está se tornando cada vez mais acessível e alguns DAWs já trazem reverbs deste tipo “gratuitos” no pacote. Esta tecnologia tirou a responsabilidade do som do reverb das mãos do desenvolvedor. O resultado agora é determinado pelo arquivo da “resposta do impulso”, embora a carga de processamento continue bastante alta.

De uma maneira simplificada, você poderia usar qualquer reverb de convolução, obtendo os mesmos resultados, simplesmente alterando o arquivo da “assinatura” sônica. A Internet está repleta destes arquivos, muitos deles de excelente qualidade.

A dificuldade ainda é encontrar estes arquivos e colecionar diferentes sons, mesmo porque cada pista, de cada projeto, pede um reverb diferente.

Neste sentido, acho válido investir um bom dinheiro em um plugin de reverb. Se for de convolução, terá vários arquivos de resposta ao impulso e você poderá baixar outros, já no formato dele. Se não for de convolução, ainda assim terá diversas opções de sons incríveis, capazes de mudar o rumo da mixagem.

Por mais que eu experimente plugins de reverb, frequentemente me pego usando um Lexicon real, externo, para sentir a diferença. É incrível, rápido, fácil, produtivo.


Na terceira categoria, temos os plugins que são cópias virtuais e declaradas de hardwares tradicionais. Emuladores, simuladores e afins.

Por se tratarem de simulações que pretendem soar iguais aos modelos reais, são extremamente complexos em termos de pesquisa e desenvolvimento. Porém, mais importante do que isso, trazem a sonoridade particular dos modelos clássicos e, neste sentido, não podem ser comparados a outros modelos.

Compressores, EQs, Reverbs e diversos outros efeitos clássicos ficaram famosos pelo seu som diferente, por alguma particularidade no tratamento do áudio que os colocou fora da curva.

Vale lembrar que muito desta assinatura é decorrente de ruídos e distorções gerados no hardware original, agora simulados no plugin. Em outros casos, um filtro adicional, uma curva de compressão, um perfil de Q, uma saturação suave.

São melhores do que os plugins “normais”?

Não tenho como responder. Se você, por qualquer motivo, deseja aquele som em particular, então o plugin remodelado pode ser a solução. A questão é: quanto é importante? Vale o preço?

Ainda estou para ver um único engenheiro de mixagem que declare que o sucesso da sua mixagem (gravação ou masterização) se deva a algum equipamento ou plugin em particular. Na minha opinião, plugins e equipamentos nunca foram responsáveis pelo sucesso de uma música ou de um disco.


Respondendo a pergunta do título do artigo: sim, vale a pena investir, mas somente em alguns poucos casos.

Para a grande maioria dos processamentos, você se sairá muito bem usando modelos genéricos, freeware e shareware.

Escolha alguns poucos efeitos complexos e se acostume com eles.

Fique atento a limiters e reverbs!

Quando achar que precisa de um plugin melhor, saiba que, provavelmente, não é culpa do plugin. A gravação pode estar comprometida, sala e monitores podem estar dificultando os julgamentos, sua audição está sendo “enganada” ou ainda não está suficientemente treinada, ou simplesmente você não dedicou tempo suficiente para aprender os controles e experimentar ajustes.

Mas, acima de tudo, escolha plugins que sejam fáceis de usar, deixando você se concentrar na música. Isso sim não tem preço.