Melhor uso do Estéreo na Mixagem

In blog by zasnicoff

Acho que o controle de PAN é subestimado por muitos engenheiros de mixagem. Overheads e Guitarras dobradas? LR extremo. Voz e baixo? Centro. Quem disse que tem que ser assim?

“Brincar” com o panorama pode enriquecer a experiência do ouvinte e ajudar bastante no congestionamento dktechheader-stereo-meterde instrumentos e frequências. Uma grande competição no centro do palco sonoro pode ser aliviada com leves panoramas para esquerda e direita. Elementos totalmente abertos no pan podem ganhar foco e definição quando estreitados.

Sempre aprendemos que os graves devem estar no centro. Faz sentido, mas não precisamos ser radicais. As frequências graves tomam muita energia da música (intensidade e headroom) e quando centralizadas, equilibram a demanda dos  alto-falantes. Isso contribui para um melhor desempenho do sistema e definição da imagem sonora. E além disso, sons graves são menos direcionais e portanto menos sensíveis ao controle do panorama, mais uma razão para colocá-los no centro. Mas nada impede de colocarmos o baixo um pouco fora de centro, para facilitar o diálogo com o bumbo. Ou vice-versa. Experimente!

Na verdade, muitas vezes começo a mixagem assim. Antes de equalizar ou comprimir qualquer trilha, procuro distribuir os elementos no panorama até que soem distintos, com o mínimo de congestionamento possível. Procuro não variar muito os níveis, deixando todos os canais com volumes próximos. Quando o mix estiver soando razoavelmente bem, significa que os próximos passos e processamentos somente irão ajudar, auxiliar ainda mais na separação e interação, ao invés de tentarem “corrigir”  problemas da mixagem.

Vez ou outra, tento o processo oposto, quando o arranjo é muito denso e competitivo. Procuro equalizar e comprimir todos os elementos no centro. De preferência, convertendo os canais estéreo para mono. Quando tudo estiver audível e aceitável, é hora de começar a mexer no panorama. Ao final do mix, depois dos reverbs e antes dos ajustes finais, você saberá quais os canais estão carentes de espacialidade e podem retornar para o formato estéreo. Trabalhar com todos os canais em mono nos dá muito mais controle sobre a precisão do panorama.

Em ambos os processos de mixagem, repare como o panorama é peça chave e fundamental, devendo sempre ser tratado como um passo independente, com a devida atenção e criatividade.

Estas são algumas técnicas que podem ajudar no ajuste do pan, tamanho e posicionamento dos elementos:

  • Grandes desequilíbrios de nível podem estar relacionados a graves muito fora de centro. Procure dividir os canais que contém baixas frequências em dois canais duplicados, um com filtro passa-altas, outro com passa-baixas. Utilize o canal sem graves (passa-altas) para ajustar o panorama e mantenha o outro no centro. Um bom plugin para automatizar este processo é o gratuito otiumFX BassLane.
  • Nossos senso de direção se deve não somente à diferença de intensidade entre os sons nos dois ouvidos, mas também à diferença de fase (ou tempo) e timbre entre eles. Como os ouvidos estão separados de alguns centímetros, naturalmente todo som que escutamos possui um pequeno atraso entre os dois lados. Assim, utilize pequenos delays (bem pequenos, da ordem de 1 milissegundo) para acentuar o posicionamento no panorama, principalmente quando a mixagem for densa. Duplique o canal, modificando pan, nível e atraso de cada um.
  • A cabeça e o formato das orelhas filtram e modificam os timbres. É isso que permite, por exemplo, a identificação de um som como vindo pela frente ou por trás. Utilizando a técnica de canais duplicados descrita acima, tente equalizar os canais, sobretudo filtrando os agudos entre 3-5kHz do lado mais distante e compensando a mesma banda no outro, para maior realismo dos elementos abertos. Vale lembrar que o ar é um filtro natural de agudos, portanto esta técnica também ajuda no distanciamento de sons, sendo muito utilizada no retorno dos reverbs.
  • Antes de aceitar que um instrumento estéreo fique aberto no extremo LR, verifique se um achatamento da imagem não é benéfico para a clareza e foco. Para tanto, você não pode usar o controle de pan do canal estéreo (que é na verdade um controle de balance). Se o seu software permitir, modifique o controle para dual-pan ou combined-pan para ter acesso à largura da imagem. Se necessário, separe o canal em dois monos e use os controles de pan normalmente, porém ao invés de colocar cada um deles nos extremos, diminua a abertura, sempre escutando os resultados. Esta técnica ajuda bastante em overheads de bateria e camas de pad.
  • Reverbs sutis podem transformar um som mono em estéreo, quando o objetivo é aumentar largura e espacialidade. Lembre-se também que os reverbs não precisam retornar no extremo LR. Muitas vezes, o melhor a fazer é retornar um reverb mono no mesmo pan do som original, para não atrapalhar o que já foi mixado até então.
  • Panorama não precisa ser estático, apesar de isso acontecer na grande maioria das produções. Experimente alterar a posição de um elemento, mesmo que apenas no chorus ou na bridge, para criar maior interesse e contraste. Da mesma forma, lembre-se que o ouvido logo se acostuma com novidades, então um instrumento totalmente aberto no início da música para ir se fechando para liberar espaço no mix, sem atrapalhar a experiência do ouvinte. Ou ainda, um pequeno movimento de pan pode ajudar a destacar um elemento baixo ou distante que não pode ser trazido para a frente.
  • Fique sempre de olho no medidor estéreo, para certificar-se de que não há faltas nem exageros no panorama. Eu costumo usar um medidor de fase (que sempre deve estar acima de 0 e próximo a 1 na maior parte da música), juntamente com um analisador estéreo para prever a compatibilidade mono e variações ao longo da faixa.

Abuse do PAN na sua próxima mixagem!