O Grande Teste do Produtor Musical

In blog by zasnicoff

Masterizacao e Multi-PistaMuitos clientes me perguntam se a Masterização é realmente necessária. Se esta etapa pode realmente alterar a apresentação sonora, ou quanto de fato ela auxilia na produção musical.

Minha resposta é sempre a mesma: sem dúvida! Agora, se a masterização é realizada logo após a mixagem, durante a mixagem, meses depois, pelo mesmo engenheiro ou pelo próprio produtor no mesmo dia, isso não importa. O resultado musical fala por si próprio.

Em outras palavras, se a mixagem naturalmente “masterizar” o áudio a ponto de nada mais poder ser ajustado, otimizado, corrigido – então a masterização já está feita. No mundo real, sabemos que isso não acontece. O engenheiro de mixagem está concentrado em inúmeras trilhas e tarefas e a última coisa que ele consegue pensar é em sutilezas da equalização, dinâmica e reverberação da massa sonora.

Provavelmente ele passou horas e horas equalizando somente a caixa da bateria, escolhendo o reverb perfeito, um gate transparente e o melhor compressor para aquele instrumento, naquele groove, naquela música. Imagine o apego emocional que ele criou com esta caixa! E além disso, seus ouvidos devem estar cansados e tendenciosos. Quais as chances dele conseguir balancear a sonoridade da caixa com o restante da bateria, ou pior, com o restante da música? Duvido que ele consiga tirar a caixa de cena, diminuir seu volume e importância, depois de passar 6 horas equalizando seu timbre.

Pode ser que a música justamente precise disso. Menos foco na caixa, que está ofuscando algum outro instrumento, ou até roubando a atenção dos vocais. É aí que entra o engenheiro de masterização. Com uma sala de audição critica, equipamentos especializados, ouvidos treinados e principalmente, ISENÇÃO EMOCIONAL, ele saberá se a caixa está equilibrada no mix ou não. E não terá o menor problema em diminuir seu volume. Aliás, nem estará preocupado se gosta ou não gosta da música.

Se extrapolarmos este exemplo da masterização, para a mixagem, gravação e até mesmo para a composição, veremos que em teoria, uma canção MARAVILHOSA, executada IMPECAVELMENTE numa sala com acústica IDEAL e captada com PERFEIÇÃO – não precisaria ser pré-produzida, nem mixada ou masterizada!

Pense comigo. Se durante a gravação, um par de microfones conseguir captar todos os instrumentos com o TIMBRE, REVERBERAÇÃO, ATRASOS, DINÂMICA e PANORAMA desejados, então durante a captação, já estarão ocorrendo: EQUALIZAÇÃO, PAN, COMPRESSÃO e demais EFEITOS. O processamento e a mixagem estão acontecendo acusticamente, já em estéreo. E a sonoridade seria tão perfeita, que a masterização também não seria necessária.

Repareque todas as etapas foram realizadas – pré-produção, captação, mixagem, masterização. Só que neste caso, simultaneamente. Mas de novo, voltando ao mundo real, isso quase nunca acontece (embora algumas gravações audiófilas de orquestras ou bandas de jazz estejam bem próximas disso). É muito difícil contar com uma execução perfeita, separação acústica, microfonação ideal, etc etc. É por isso que, normalmente, existem diferentes profissionais, para diferentes etapas e objetivos.

O grande problema atual da produção musical, ao meu ver, está na mentalidade equivocada do “vamos deixar pra próxima etapa, lá corrigimos”. Como se a captação pudesse melhorar a letra e a melodia de uma música. Como se a mixagem pudesse compensar um péssimo instrumento, mal gravado e tocado por um músico amador. Para mim, o teste definitivo da produção musical é tentar chegar o mais próximo possível do cenário descrito acima: “microfonação estéreo, um take gravado, música masterizada”.

Faça um teste. No mínimo, você vai aprimorar várias habilidades da produção musical. Experimente gravar em apenas dois canais. Ou então 4, 8. Mas não conte com os infinitos canais do seu mixer virtual. Procure equalizar DURANTE as captações, preferencialmente pelo posicionamento de microfones e instrumentos na sala. Pense no palco sonoro e no choque de frequências (arranjo) durante a gravação. Utilize a sala e o distanciamento dos instrumentos para captar com reverberação natural. Oriente os músicos quanto à dinâmica da execução. Economize em trilhas e processamento.

Se o resultado ficar satisfatório, parabéns, você passou no grande teste do Produtor Musical!