Efeitos Ao Vivo

In blog by zasnicoff

Ao Vivo é que o bicho pegaÉ isso aí, já estamos em Dezembro, melhor esquecer a crise a escutar mais música!

O leitor e técnico de som Robson Pavanetti escreve perguntando como poderia criar o efeito de “dobra” de vocais em apresentações ao vivo.

No estúdio, as melhores dobras normalmente acontecem quando o vocalista grava vários takes que são sobrepostos na mixagem. A flutuação natural de tempo e afinação entre cada take faz com o que o áudio final seja mais rico, encorpado, enfim – “dobrado”.

Ao vivo a história outra! Além de termos apenas uma chance de conseguir o resultado, não existem gravações, takes e edições para o público, tudo acontece em tempo real.

A maneira mais simples de dobrar um vocal seria utilizar uma mandada de efeito da mesa de som para um processador de delay (mais sobre delay neste mini-tutorial) e retornar o áudio com um atraso da ordem de 20 a 50ms. O ideal seria testar o efeito durante a passagem de som para encontrar o ajuste perfeito de tempo de atraso e volume do retorno. No caso de mesas digitais, procure utilizar mandadas e processadores analógicos, se disponíveis, para maior controle sobre o tempo de atraso. Em grandes apresentações, também devem ser considerados o posicionamento de caixas auxiliares e suas distâncias até a platéia, de modo que o som que chegue aos ouvintes tenha um delay de 20 a 50ms.

Obviamente, estamos falando somente dos vocais. Existindo um processador de pitch ou harmonizador de vocais, a saída do processador de delay poderia ser ligeiramente “desafinada” (alguns centésimos de semi-tom) para maior naturalidade no efeito. Num cenário mais ideal, várias cópias do vocal seriam processadas, cada uma com um atraso e uma afinação diferente. O uso do reverb deve ser bem controlado para que o “rastro” do vocal não se sobreponha aos delays. Talvez o melhor a fazer seja mandar essa pré-mixagem dos vocais para o reverb, que estaria configurado com um pre-delay suficientemente grande para não mascarar os delays anteriores.

A segunda pergunta do Robson refere-se ao efeito utilizado na bateria abaixo:

[audio:http://academiadoprodutormusical.com/wp-content/uploads/drumfx.mp3]

Neste clip, a bateria soa bastante “espacial”, no sentido de palco sonoro, largura e profundidade. Sobretudo, o som da caixa. Aparentemente não existe nenhum processamento especial ou misterioso. A audição sugere um reverb bastante característico, longo e de alta intensidade (talvez um modelo plate ou spring). Observando-se a forma da onda, podemos reparar dois pontos interessantes:

– Pequenos delays de alta intensidade, que contribuem para o senso de “tamanho” e timbre conseguido. Possivelmente configurados por um processador adicional com alto feedback. O primeiro se encontra a 2ms do ataque inicial da caixa, seguido de vários outros, cada vez menos intensos, a cada 10ms.

ZOOM, delays visíveis

– Um envelope de volume irregular, de alta duração e variações abruptas. Inclusive aumentos de volume, sugerindo um reverb com pre-delay longo e alta porcentagem no mix.

Envelope de Volume da mesma caixa

Naturalmente, a microfonação e o uso de equalizadores devem ter contribuído em muito para a sonoridade, destacando a pele de ataque da caixa e os seus harmônicos.

Valeu Robson pelas perguntas, espero ter ajudado. Abraços!