As Armas do Músico

In blog by zasnicoff

gun-guitarEste é um dos textos mais sensatos sobre Music Business que encontrei nos últimos tempos. Compartilho destas idéias e continuo achando que entender o cenário atual e ter expectativas reais é o primeiro passo (e o mais importante) para quem deseja se aventurar no mundo da música.

Tenho procurado escrever sobre o assunto no meu blog e é sempre muito legal encontrar um ponto de vista parecido.

Com a palavra, o cantor e compositor Leoni (link para o artigo original).


Antes do texto do autor, algumas frases retiradas de seu blog:

• O futuro é DIY (Do It Yourself – Faça Você Mesmo). Aprenda a usar ferramentas baratas ou gratuitas, mas lembre-se que o importante é o seu trabalho. Software não vai resolver seus problemas.

• O melhor marketing é informado pela arte. Você não pode criar um vídeo viral; tudo depende da audiência. Mas você pode chamar a atenção.

• Se você é um artista, não peça dinheiro emprestado. Só se mantêm o controle artístico mantendo-se o controle financeiro. O oposto se você for um empreendedor. Tim Westergren, fundador da Pandora estourou um dúzia de cartões de crêdito e devia dinheiro a todo mundo antes de fazer seu negócio decolar.

• Existem muitos lugares para vender sua música online: Amazon, MySpace, iTunes e TuneCore para iniciantes. Mas não subestime o poder de dar sua música. Lil Wayne ofereceu sua música gratuitamente por mais de um ano antes de lançar seu álbum. Ele trabalhou antes para construir sua base de fãs antes de pedir qualquer dinheiro.

• Os fãs são a nova gravadora. No negócio agora tudo depende da relação entre o artista e seus fãs, especialmente os “uber” fãs, aqueles que compram todo o merchandise, vão a todos os shows e divulgam suas bandas favoritas.

• A chave para estabelecer o contato com os fãs é o e-mail, o dado mais importante que você pode coletar. Tenha uma folha para isso em todos os shows. Peça à audiência para mandar uma mensagem de texto com seus e-mails para o celular do seu produtor e prometa manter pessoalmente esse contato. Dessa forma você terá e-mails e códigos de área. Construa uma comunidade online através de webcasts, fotos, entrevistas e vídeos de shows.

• Engaje seus fãs de uma maneira que faça sentido, nada forçado ou fingido. A banda We The Kings lançou uma série semanal na internet que teve mais de 300 milhões de views. Eles venderam 100.000 discos antes das músicas chegarem no iTunes.

• É perigoso que um artista gaste muito tempo com coisas que não são artísticas. Crie um time de empresariamento para tomar conta das ferramentas, marketing e tecnologia. Se você está começando convoque um amigo que adore música para desenvolver sua marca com você.

• Só assine contratos de curto prazo e se eles forem te dar muita visibilidade. Caso contrário você vai ficar fora do radar.

• Comece localmente, comece com uma tribo. As melhores histórias de sucesso de bandas começaram com uma cena musical. A internet tem permitido que tribos aumentem muito de tamanho. Entre em contato com bandas similares e divida shows com elas. Construam uma cena e trabalhem para que o sucesso aconteça para todo mundo ao mesmo tempo. 


Hoje vou começar a postar uma série de textos que eu escrevi no meu site sobre a crise e as oportunidades da musica no mundo digital. Eles serão reunidos num e-book que estará disponível para download gratuito no www.leoni.com.br. Espero muitos comentários e ideias já que o caminho está sendo inventado enquanto se caminha. Essa é a minha experiência, mas está longe de ser a verdade. É só uma versão dos fatos.

Dicas de Sobrevivência do Músico no Mundo Digital

Introdução: os artistas e as gravadoras

É engraçado como as gravadoras despertam sentimentos tão contraditórios nos artistas. Vivem imaginando o sucesso que fariam se uma gravadora resolvesse investir no seu talento, mas quando esse sonho se torna realidade começam a falar em se livrar do jugo da gravadora – essa grande “escravizadora” de artistas, a grande vilã do showbusiness!
Afinal, querem o sucesso que as gravadoras proporcionam ou o “glamour” do underground?

Hoje em dia, estar numa gravadora pode ser de bom a muito ruim. Raramente bom. Elas estão tão perdidas quanto todo mundo. Talvez ainda mais, porque a sobrevivência delas depende de achar um modelo rapidamente. Quando eu comecei com o Kid Abelha, no começo da década de 80, essa era a única forma de estar no jogo. E ter um contrato com uma gravadora era, no mínimo, legal. Daí pra cima – até muito pra cima!

Os diretores artísticos eram os filtros entre toda a produção musical e o público. Mas os “filtros” eram muito mais numerosos e capazes de lançar muito mais artistas.

Hoje existem inúmeras outras formas de se atingir o público e as gravadoras não dão conta nem de 1/20 dos bons artistas disponíveis. E os que elas lançam já não dão mais retorno financeiro.

Um lugar sem filtros: portas escancaradas

Toda essa história anterior para dizer aos jovens talentos, às bandas realmente boas, que os tempos são outros. Esqueçam as gravadoras. Atualmente elas não sabem muito bem como lidar com carreiras. Além disso, elas são poucas e lançam muito poucos artistas. É como contar com a MegaSena para pagar suas contas do dia a dia. Mas não há filtros na Internet. No entanto, é bom lembrar que, se as portas estão escancaradas, a concorrência é monstruosa.

Esqueçam o caminho do estrelato – ainda mais o caminho rápido. Vocês não precisam vender milhões de CDs para viverem de música. Aliás ninguém mais vai vender milhões de CDs daqui pra frente.

O caminho agora é lento e depende basicamente de qualidade musical e contato constante com o público. Quando você tiver uma história para contar terá ferramentas para divulgá-la – e seus fãs vão ajudar muito nisso, espontaneamente.

Música de graça, sim!

Gravem poucas músicas (de uma a três) e as coloquem de graça no site de vocês, no MySpace, na LastFM, na Trama Virtual, no Facebook etc. Avisem aos amigos para baixarem e espalharem. Consigam o contato de quem baixou suas canções e ofereçam mais. Sempre.
E façam shows. Toquem sempre que puderem. Consigam o contato de quem foi ao show.
Façam tudo de novo. E de novo. Indefinidamente até que muitos desejem receber as canções. Sintam falta delas.

Se vocês forem bons – levem em consideração a hipótese de só vocês e suas namoradas ou namorados compartilharem do entusiasmo pela genialidade do seu repertório -, em uns 5 anos, talvez, vocês possam abandonar o emprego chato que paga suas contas para viver, modestamente, de música. Até vender CDs, se isso não demorar demais.

O Segredo do Sucesso

Adoraria lançar um livro de auto-ajuda artística onde eu revelasse um segredo que levasse todos ao estrelato em cinco dias – um pouco mais difícil que os três dias necessários para trazer de volta a pessoa amada. Eu ficaria rico e vocês decepcionados, com certeza. Porque não há mais atalhos.
Trabalho duro, talento e tempo são os únicos ingredientes que contam. Infelizmente para os medíocres e preguiçosos, esse é o único segredo. Se é que isso é algum segredo.

Um choque de realidade

E, ainda assim, pode não dar certo! Na maioria das vezes não dá. E não venham reclamar de injustiça. Não houve um movimento popular implorando para que aceitássemos presentear o mundo com o nosso talento, nem uma multidão pedindo, pelo amor de Deus, para que lançássemos um disco. Ninguém pediu para que nós fôssemos artistas. Nós é que somos muito atrevidos de acharmos que temos alguma coisa a dizer, e que isso será tão importante que muitas pessoas desejarão nos dar seu tempo e dinheiro para que possamos viver nosso sonho dourado.

Essa carta não é para desanimar ninguém. Hoje há muito mais oportunidades de se sair do anonimato e quase nenhuma de se virar uma estrela como conhecemos em outros tempos.

Entramos na era do talento e não na dos produtos.

Paciência e vida longa aos talentosos.