Mini-Tutorial sobre DELAY (parte 5/8)

In blog by zasnicoff

20ms é um número mágico! Delays desta ordem começam a cruzar a fronteira entre as distorções e os efeitos desejáveis.

Nos artigos anteriores, vimos que atrasos da ordem de frações de mili-segundos até 5 ou 10ms tendem a distorcer os sons, causando equalizações indesejáveis, perda de realismo, imagem sonora e detalhamento.

Repare que estamos sempre falando de delays sobrepostos ao áudio original. No caso de sons atrasados em diferentes posições do panorama (digamos: original na esquerda e atrasado na direita), os efeitos podem ser bem diferentes. Na verdade, pequenos delays entre o canal esquerdo e o direita no estéreo podem ajudar na localização de sons e ampliação da largura do palco sonoro.

Voltemos ao nosso caso. Com 20ms de atraso, começamos a reparar uma maior espacialidade (espAcialidade) na música. O som parece estar mais envolvente e as mudanças já não são prejudiciais como antes. No exemplo abaixo, o efeito está exagerado e negativo, afinal a música original já possui uma suficiente espacialidade. Mas o recurso pode ser bastante útil em algumas situações. De fato, a produção original desta música utilizou-se de delays similares durante as gravações e a mixagem, mesmo que o efeito tenha sido gerado acusticamente, e não pelo uso de equipamentos ou plugins.

Como sempre, 5 segundos sem efeito, 5 segundos com delay.

[audio:20ms.mp3]

Repare como sons “secos” e transientes começam a soar como eco. É o caso do bumbo nesta gravação. No segundo exemplo, abaixo, o volume do áudio atrasado (delay) foi reduzido em 5dB, auxiliando no ganho de espaço sonoro. Delays normalmente devem retornar para o áudio original com volumes menores.

[audio:20msmenos5db.mp3]

Atrasos desta ordem podem ser usados para ampliar o corpo de um instrumento e causar reforço sonoro. Há séculos este recurso é utilizado em auditórios, teatros e salas de audição para que a performance seja mais envolvente e com maior intensidade sonora. 

Se as posições das caixas acústicas, músicos, paredes e público estiverem corretamente planejadas, o resultado soará natural e acusticamente superior ao som simplesmente direto, sem reflexões. Consegue-se mais volume e uniformidade das diferentes posições da platéia.

Quando há torres de alto-falantes em shows ou grandes auditórios, elas são posicionadas e configuradas (através do uso de delays digitais) para que em média, o som que ouvinte escuta das caixas laterais ou traseiras esteja cerca de 20ms atrasado em relação às caixas principais.

Dependendo do tipo de instrumento e intensidade de efeito desejada, o engenheiro de mixagem deve experimentar delays com atrasos de 15 a 25ms na tentativa de se criar mais corpo e espacialidade.

O que acontecerá quando este atraso subir para 30ms?